O acidente nuclear de Goiânia

Autor : José Carlos dos Santos Mélo

Publicado em: fevereiro 25, 2007

O acidente teve como causa a negligência das autoridades, que não tiveram o necessário cuidado ao desativar um aparelho de radioterapia, e a ignorância do proprietário do Ferro Velho Auto Mecânico.

"Não há progresso sem energia e é preciso preparar o futuro com grande antecedência".

Pois bem, era o que preconizava um dos itens do programa energético brasileiro na década dos anos 80. No entanto, o descuido brasileiro, trás a tona um acidente radiativo de grande gravidade e tão vergonhoso, entrando para a historia nuclear em todo o mundo. Contaminando várias pessoas e o meio ambiente.

No mês de setembro de 1987, a violação de uma Bomba de césio-137 (anteriormente utilizada no tratamento do câncer) por sucateiros – ela estava abandonada nos escombros do antigo Instituto de Goiano de Radioterapia (IGR) da cidade de Goiânia mata quatro pessoas e contamina 249.

Três outras pessoas morreriam mais tarde de doenças degenerativas relacionadas à radiação.

A cápsula era constituída por um cilindro de aço inoxidável com um revestimento duplo de chumbo. O material radioativo estava no interior deste cilindro.

Fabricada para fins terapêuticos, a cápsula tinha uma janela, pela qual passava a radiação gama utilizada no tratamento do câncer. Esta janela permitia também que se pudesse observar alguma luminescência no interior da cápsula, fazendo com que a cápsula brilhasse no escuro.

Foi a curiosidade motivada por este brilho fosforescente que levou à abertura da cápsula, liberando assim o 137Cs em pó.

A cápsula foi arrombada no quintal da casa de um dos sucateiros e estava colocada sobre um tapete, à sombra de uma mangueira.

O pó de 137Cs foi colocado dentro de um vidro e levado para dentro de casa, onde foi guardado em um armário. Entretanto, uma parte do pó não recolhida, ficou alí no chão.

As chuvas que caíam no local, na época do acidente, ajudaram o solo na absorção do pó radioativo, ocasionando sua contaminação, de modo que a mangueira sob a qual a cápsula foi violada, também foi contaminada.

O pó de césio era aparentemente inofensivo, pois apesar de radioativo e fosforescente, não era frio nem quente, não tinha cheiro e não criava gases.

As pessoas se admiravam com o pó brilhante, pegavam-no com as mãos e uma criança, achando-o parecido com purpurina, passou-o em seu corpo e depois o ingeriu, passando a ser fonte de irradiação.

Por onde as pessoas contaminadas andavam, espalhavam mais a contaminação ou, pelo menos, irradiavam as pessoas nesses locais. Assim o pó de Cs137 se alastrou rapidamente.

O acidente chegou ao conhecimento público somente quando um médico suspeitou que as queimaduras de alguns de seus pacientes poderiam ter sido causadas por radiações, o que foi prontamente confirmado por um físico ao medir os níveis de radiação dos pacientes.

A imprensa divulgou o caso. As autoridades se mobilizaram e foram chamados para Goiânia médicos, físicos e especialistas em radiações do Brasil e alguns do exterior.

O pânico se espalhou pela cidade de Goiânia, cuja população não foi devidamente informada sobre os possíveis desdobramentos do acidente.

Ao ver prédios inteiros sendo evacuados e barricadas sendo construídas para impedir a entrada nos bairros vizinhos ao ferro velho onde se viam apenas técnicos vestidos com estranhas roupas a população previu o pior.

A partir deste episódio, a Comissão de Energia Nuclear (CNEN) recolheu todas as fontes de radiação similares à do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR). O Césio-137 em questão era aglutinado em uma matriz altamente solúvel, o que facilitou a contaminação da população goiana.

Hoje, são usadas fontes metálicas e um acidente como este dificilmente ocorreria novamente.

Artigo original em http://pt.shvoong.com
Localizado pelo Google com as palavras chaves: acidente, atômico
Acesso em: 17 de outubro de 2008, 13:58

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