Sexta, 6 de fevereiro de 2009, 18h06

Jair Rodrigues comemora 50 anos de carreira com show em SP

Neste mês, Jair Rodrigues tem dois grandes motivos para comemorar. O primeiro é o seu aniversário de 70 anos, no dia 6, o outro é o cinqüentenário de sua carreira. Em homenagem às duas datas, ele se apresenta no Auditório Ibirapuera, nesta sexta, dividindo o palco com Pelé, Alcione, Chitãozinho e Xororó, Pedro Mariano, Rappin Hood, Simoninha, Max de Castro e Jorge Aragão. No sábado, ele canta os sucessos da carreira acompanhado de sua banda.

Jair Rodrigues de Oliveira nasceu em Igarapava, interior de São Paulo, mas foi criado em Nova Europa, onde morou até 1954, quando se mudou para São Carlos com a família.

Durante a juventude, teve várias profissões. Foi engraxate, mecânico e pedreiro, até participar de um programa de calouros da Rádio Cultura e se classificar em primeiro lugar. A partir daí passou a atuar como crooner (cantor de casas noturnas), radicando-se na capital paulista em 1960.

Em 1964, lançou seu primeiro compacto, chamado Vou de Samba com Você. Depois veio O Samba Como Ele É, que continha O Morro Não Tem Vez, música de Tom Jobim e Vinicius de Moraes que se tornou o primeiro grande sucesso do cantor.

Seu nome ficou mais conhecido quando gravou Deixa Isso pra Lá (Alberto Paz/ Edson Menezes), marcada pelo gesto que fazia com a palma da mão. Por essa canção, Jair Rodrigues foi considerado o primeiro artista brasileiro a gravar um rap, devido aos versos "deixa que digam, que pensem, que falem" em ritmo funkeado.

A ascensão do músico estava só começando. Em 1965, Jair Rodrigues substituiu Baden Powell em um show realizado no Teatro Paramount, em São Paulo. Foi nessa ocasião que cantou pela primeira vez ao lado de Elis Regina, com quem lançou em seguida três LPs ao vivo, Dois na Bossa, volumes 1, 2 e 3. O sucesso foi tanto que os dois passaram a comandar o programa O Fino da Bossa, da TV Record, um dos mais importantes musicais da televisão brasileira.

Em 1966, sua interpretação de Disparada (G. Vandré/ T. Barros) empatou com A Banda de Chico Buarque em primeiro lugar no Festival da Record. No mesmo ano lançou um de seus maiores sucessos, Tristeza (Niltinho/ Haroldo Lobo).

E a popularidade não ficou restrita ao Brasil, Jair também se apresentou em festivais como o MIDEM (França), o Montreux (Suiça) e o San Remo (Itália). Com Elis Regina e o Zimbo Trio ele se apresentou no Cassino Estoril, em Portugal, no Teatro Famoso, na Argentina, e no Cine Ávis, em Angola.

Jair Rodrigues foi o primeiro grande cantor a gravar e fazer sucesso com samba-enredo de escolas do Rio, principalmente os da Acadêmicos do Salgueiro, como Bahia de Todos os Deuses (Bala/ Manuel Rosa), Festa para um Rei Negro (Zuzuca) e Mangueira, Minha Querida Madrinha (Tengo-Tengo).

Outras músicas que se tornaram populares na voz de Jair Rodrigues foram Triste Madrugada (Jorge Costa), Casa de Bamba (Martinho da Vila) e Vai, Meu Samba (Ari do Cavaco/ Otacílio de Souza).

Do primeiro EP em 1964 até 1985, o músico lançou um disco por ano, sempre fazendo muito sucesso e ganhando notoriedade. Hoje, casado há 35 anos com Claudine, com quem teve dois filhos, Jair e Luciana, Jair Rodrigues leva uma vida mais tranqüila, mas ainda mantém uma agenda regular de shows, discos e turnês.

De geração em geração

Os filhos de Jair Rodrigues, Luciana Mello, 30 anos, e Jair Oliveira, 33, antigamente conhecido como Jairzinho, também fazem sucesso. Ainda na infância, os irmãos montaram a banda Jairzinho e a Patrulha do Barulho, que durou apenas um ano. Logo depois, Jairzinho entrou para a Turma do Balão Mágico, que deu origem ao programa infantil Balão Mágico, na Rede Globo, e foi sucesso na década de 1980.

Após o final do programa, Jairzinho começou a cantar ao lado de Simony, mas abandonou a carreira e só a retomou em 2000 com o álbum solo Dis'ritmia. Na época, o violonista, arranjador, produtor, compositor e cantor surpreendeu quem ainda se lembrava dele como o garoto do Balão Mágico. Desde então, usa o nome Jair Oliveira. Seu último CD, intitulado Simples, foi lançado 2006 pelo selo S de Samba, do qual é um dos sócios.

Já Luciana começou com uma carreira solo aos quinze anos, quando gravou um disco com a participação de Emilio Santiago. Depois, participou do projeto Artistas Reunidos, em 1999, ao lado de Jairzinho, Wilson Simoninha, Max de Castro e Pedro Mariano. Seu segundo álbum, "Assim Que Se Faz", foi lançado em 2000. O último trabalho é Nêga, de 2007.

Redação Terra

Artigo original em www.terra.com.br
Localizado pelo Google com as palavras chaves: "Nova Europa"
Acesso em: 27 de fevereiro de 2009, 09:38

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