Sanitário compostável a seco

Todos os humanos produzem matéria fecal. Alguns produzem, com isto, um recurso agrícola de alto valor, enquanto outros produzem poluição. Tudo depende do destino final deste material. Quando adicionado de água e descarregado, sem nenhum tipo de tratamento, nos rios e córregos ou no lençol freático, contamina o suprimento de água a ponto de comprometer seriamente o equilíbrio ambiental e a saúde da população. A cada ano no Brasil, em torno de 160 milhões de toneladas deste precioso recurso são transformadas em poluição e depositadas junto com o lixo urbano ou despejadas nos rios, transformando água em esgoto. Se a quantidade de matéria fecal produzida hoje no mundo fosse avaliada unicamente pelo seu valor como nutriente vegetal, veríamos que o mundo joga nos rios uma quantia aproximada de 19 bilhões de dólares ou até mais anualmente.

Como construir o sanitário compostável?

A construção de um sanitário compostável pode ser muito simples. De fato, qualquer pessoa com o mínimo de habilidade pode faze-lo. Para que a compostagem ocorra de forma segura, sem complicações no manejo, os pontos mais importantes a considerar são:

Assim, construímos um sanitário com duas câmaras de alvenaria, seguindo um modelo que já provou ser bem sucedido em diversas outras ocasiões: a partir do assento existe uma queda de aproximadamente 80cm até que o material atinja o topo de uma rampa de 2,5m de comprimento e 45º de inclinação. Esta rampa faz com que todo o material desça até o fundo, onde se deposita, já misturado com a serragem.

As dimensões do sanitário dependem se é para a utilização de grandes ou pequenos grupos de pessoas em intervalos regulares.

Os pontos cruciais que garantem o funcionamento do sanitário são:

  1. Na parte inferior da portinhola existe uma entrada de ar, vedada aos insetos, que garante a oxigenação constante da pilha. Este ar passa por sobre a pilha e é sugado pela chaminé, sem permitir que nenhum (nenhum mesmo!) mau cheiro alcance a área de ocupação humana.
  2. A chaminé ultrapassa a cumeeira do sanitário em 1 metro, fazendo com que os ventos dominantes dispersam qualquer odor. Esta chaminé é pintada de preto e posicionada ao norte do sanitário, para que esteja sempre exposta ao sol.
  3. A tampa da câmara também é pintada de preto, e transmite o calor do sol para a pilha, aumentando a eficiência do processo. Esta tampa também está voltada para o norte.
  4. A tampa do assento permanece fechada quando não em uso. Evitando que a ventilação seja interrompida.

Papel higiênico e outros materiais orgânicos podem ser adicionado, mas cuidado com restos de alimento (que atraem formigas), absorventes femininos ou fraldas descartáveis, que não são orgânicos e não compostam.

Uma ferramenta auxiliar no manejo é uma enxada de madeira, que pode ser usada para empurrar o material para baixo, caso esteja empilhando no topo da rampa. Isto é comum e fácil de resolver.

O aquecimento da chaminé é importante para o processo de termosifonamento, que é a subida de ar que esquenta, sugando o ar mais frio do interior da câmara. Quando não é possível garantir o aquecimento solar da câmara e da chaminé, é necessário criar uma ventilação forçada. Para isso basta instalar um pequeno ventilador dentro da chaminé, empurrando o ar para cima.

É importante, para que não haja nenhum mau-cheiro que a saída da chaminé seja mais alta que o burraco do vaso.

Artigo original em www.ig.com.br
Localizado pelo Google com as palavras chaves: termosifonamento
Acesso em: 08 de julho de 2009, 17:56

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