Livro de Aço dos Heróis Nacionais

Os selos postais, inicialmente criados com a simples finalidade de postagem de correspondência, divulgam e assinalam, hoje, informações importantes sobre o nosso país, ao mesmo tempo em que prestam homenagem a heróis brasileiros e personalidades nacionais.

Com este compromisso, os Correios emitiram no dia 21 de abril em Brasília (DF), uma folha com 20 selos, homenageando dez heróis nacionais, que possuíram e defenderam ideais de liberdade e de democracia.

A escolha dos heróis focalizados nesta emissão foi inspirada no Livro de Aço dos Heróis Nacionais, do Panteão da Pátria Tancredo Neves, um espaço de preservação da memória histórica brasileira, que homenageia efemérides fundamentais no processo de construção e consolidação do Brasil como nação independente. O Panteão da Pátria Tancredo Neves está sob a coordenação da Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal.

O 21 de abril foi escolhido para o lançamento porque a data tem significado especial: nesse dia, em 1992, Joaquim José da Silva Xavier – o Tiradentes, foi o primeiro herói a ter o nome inserido no Livro de Aço dos Heróis da Pátria, por ocasião do bicentenário de sua execução. O mártir da inconfidência mineira também é o Patrono Cívico da Nação Brasileira.

Os outros heróis destacados nos selos são D. Pedro I, Alberto Santos Dumont, Marechal Deodoro da Fonseca, Duque de Caxias, Plácido de Castro, Almirante Tamandaré, Almirante Barroso, José Bonifácio de Andrada e Silva e Zumbi dos Palmares.

Com uma tiragem de 100.000 folhas, o valor facial de cada selo, de autoria de Fernando Lopes, corresponde ao 1º Porte Carta Comercial, atualmente R$ 0,90.

JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER – O TIRADENTES – (1746-1792)

Foi o primeiro herói a ter o nome inserido no Livro de Aço dos Heróis Nacionais, com inscrição em 21 de abril de 1992, por ocasião do bicentenário de sua execução.

Nasceu na Fazenda do Pombal, entre São José (hoje Tiradentes) e São João Del-Rei, Minas Gerais. Tiradentes foi mascate, pesquisou minerais, foi dentista prático. Sobre sua vida militar, sabe-se que pertenceu ao Regimento de Dragões de Minas Gerais. Ficou no posto de alferes, comandando uma patrulha de ronda do mato, prendendo ladrões e assassinos. Em 1789, participou de um movimento contra os pesados impostos cobrados pela coroa portuguesa, preparado por militares, escritores de renome, poetas famosos, magistrados e sacerdotes. Em março desse mesmo ano, Joaquim Silvério dos Reis que devia elevada soma à Fazenda Real e pensava, com a traição, furtar-se ao pagamento, delatou a trama ao governador de Minas Gerais, Visconde de Barbacena.

Os inconfidentes foram condenados à morte, porém, numa nova decisão, baseada em carta de clemência, essas condenações, exceto a de Tiradentes, foram comutadas em desterro perpétuo na África.

Tiradentes foi enforcado em 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro.

D. PEDRO I – (1798-1834)

Seu nome foi inserido no Livro de Aço dos Heróis Nacionais, com inscrição feita em 5 de setembro de 1999.

D. Pedro nasceu em Lisboa, filho de D. João e D. Carlota Joaquina, chegando ao Rio de Janeiro em 1808 com a Família Real. Com o retorno dela para Portugal, em 1821, tornou-se príncipe regente do Reino do Brasil. Em janeiro de 1822, D. Pedro anunciou sua decisão de permanecer no país, e em 7 de setembro proclamou a independência do Brasil. No mesmo ano foi aclamado Imperador e coroado com o título de D. Pedro I.

JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA – (1763- 1838)

Seu nome foi inserido no Livro de Aço dos Heróis Nacionais, em 21 de abril de 2007, dentre as comemorações do quadragésimo sétimo aniversário de Brasília. Cognominado o Patriarca da Independência, nasceu no dia 13 de junho de 1763, na cidade de Santos, estado de São Paulo.

Em Coimbra, Portugal, formou-se em Ciências Naturais e Direito, e graças aos seus grandes conhecimentos foi convidado a entrar para a Academia de Ciências de Lisboa.

Durante dez anos viajou pela Europa, aprofundando os seus conhecimentos, retornando a Portugal em 1800, quando recebeu as honras de desembargador e o título de doutor em Filosofia, sendo nomeado professor de Geognosia e Metalurgia em Coimbra.

Em 1819, retornou ao Brasil, iniciando uma fecunda carreira de homem público. Sua grande capacidade e seus dotes políticos tornaram-no, junto a D. Pedro I, o principal articulador da nossa Independência. O grito do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822, foi, na verdade, o arremate do processo de emancipação, do qual José Bonifácio foi o grande arquiteto.

Era considerado o mais culto brasileiro do seu tempo.

Em 1831, D. Pedro I, ao abdicar da Coroa, indicou-o para tutor de seu filho, o herdeiro do trono e, também, de suas irmãs.

Nos últimos dias de sua vida mudou-se para a cidade de Niterói, onde veio a falecer, em 6 de abril de 1838.

DUQUE DE CAXIAS – (1803-1880)

O Marechal Luís Alves de Lima e Silva teve o seu nome inserido no Livro de Aço dos Heróis Nacionais em 28 de janeiro de 2003.

Luís Alves de Lima e Silva nasceu em 25 de agosto de 1803, no Rio de Janeiro. Em 1821, já era tenente a serviço do Batalhão do Imperador. Participou dos movimentos para a independência, pacificando várias províncias rebeldes.

Nomeado Comandante-em-Chefe das forças do Império em operações contra o Paraguai, concluiu sua jornada com a tomada de Assunção em 1869. Em 1870, é elevado a Duque, sendo o único com esse título no país. Morreu em 7 de maio de 1880, na Fazenda Santa Mônica, em Vassouras, estado do Rio de Janeiro. Em 1962 foi instituído "Patrono do Exército Brasileiro".

PLÁCIDO DE CASTRO – (1873-1908)

José Plácido de Castro teve o seu nome inserido no Livro de Aço dos Heróis Nacionais em 17 de novembro de 2004.

Militar, nasceu em 1873, no Rio Grande do Sul, na cidade de São Gabriel. Em 1899 foi para o Acre e, como o governo brasileiro reconheceu a soberania da Bolívia sobre a região, liderou os brasileiros instalados no território para expulsar os bolivianos. Derrotados estes, em 1903 proclamou-se a autonomia do Acre, obrigando as forças bolivianas à capitulação. Castro assumiu a chefia do governo provisório. Faleceu em 9 de agosto de 1908.

ALMIRANTE TAMANDARÉ – (1807-1897)

Joaquim Marques Lisboa teve o seu nome inserido no Livro de Aço dos Heróis Nacionais em 13 de dezembro de 2004.

Nasceu no Rio Grande do Sul, na cidade de Rio Grande, tomou parte na campanha da independência, participando em vários momentos da repressão aos reacionários. Participou da Confederação do Equador, da Campanha Cisplatina e na Guerra do Paraguai foi combatente determinado.

Tamandaré entrou para a Marinha com 15 anos, exerceu elevados cargos, fazendo com que sua bravura nas batalhas que participou assinalasse grandes momentos na História da Pátria. É Patrono da Marinha Brasileira e na data de seu nascimento, 13 de dezembro, comemora-se o Dia do Marinheiro.

ALMIRANTE BARROSO – (1804-1882)

Francisco Manoel Barroso da Silva teve o seu nome inserido no Livro de Aço dos Heróis Nacionais em 11 de junho de 2005.

Nascido em Lisboa, Portugal, veio para o Brasil em 1808 junto com a Comitiva da Família Real portuguesa.

Em 1821 ingressou na Academia de Marinha no Rio de Janeiro. Participou de combates na Guerra da Cisplatina, em operações contra a Cabanagem, na Província do Pará, e comandou a Força Naval Brasileira na Batalha Naval do Riachuelo.

Ocupou diversos cargos de relevância na Marinha brasileira, sendo reformado em 1873, no posto de Almirante.

ZUMBI DOS PALMARES – (1655-1695)

Recebeu sua inscrição como herói nacional, no Livro de Aço dos Heróis Nacionais, em 21 de março de 1997.

Batizado com o nome de Francisco, Zumbi foi entregue ao Padre Antônio Melo com quem viveu até os 15 anos de idade, quando fugiu para Palmares, quilombo entre os estados de Pernambuco e Alagoas, onde se reuniam os escravos fugidos. Lá, ele se fez líder graças à sua coragem, capacidade de organização e comando. Morreu no ataque inimigo de 20 de novembro de 1695. Zumbi tornou-se símbolo da luta dos negros por dignidade e igualdade.

MARECHAL DEODORO DA FONSECA – (1827-1892)

Seu nome foi inserido no Livro de Aço dos Heróis Nacionais em 15 de novembro de 1997. Deodoro da Fonseca ingressou no Exército aos 18 anos, na Arma de Artilharia.

Combateu na Rebelião Praieira, lutou na Guerra do Paraguai, liderou a facção do Exército favorável à abolição da escravatura e foi nomeado Comandante das Armas da Província de Mato Grosso. Em 1889, abandonou o comando e retornou ao Rio de Janeiro. Em 15 de novembro daquele ano, em um movimento político-militar que acabou com a Monarquia, o marechal alagoano Deodoro da Fonseca proclamou a República.

ALBERTO SANTOS-DUMONT – (1873-1932)

Alberto Santos-Dumont teve o seu nome inserido no Livro de Aço dos Heróis Nacionais em 26 de julho de 2006, em comemoração ao ano do Centenário do Vôo do 14-Bis, realizado em 23 de outubro de 1906.

Santos-Dumont nasceu em Minas Gerais, no dia 20 de julho de 1873, na fazenda Cabangu, paróquia de Palmira. A sua cidade natal hoje tem o seu nome, Santos-Dumont.

Feito patrono da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira, Santos-Dumont passou a figurar permanentemente no quadro de oficiais-aviadores da Aeronáutica militar brasileira, com o posto de Tenente-Brigadeiro, pela Lei 165, de 05 de dezembro de 1947. A Lei 3.636, de 22 de setembro de 1959, atribuiu-lhe o posto honorífico de Marechal-do-Ar. Faleceu em 23 de julho de 1932, no Guarujá, estado de São Paulo.

Artigo original em www.teleresponde.com.br
Acesso em: 21 de julho de 2009, 11:23

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