Maio 2008

Software Livre – Um bem pertencente à humanidade

Glades Debei Serra

Falar em software livre é falar em liberdade de uso, distribuição, modificação e aperfeiçoamento destas ferramentas. A partir de informações e dados conhecidos, trabalhados, desenvolvidos e disponibilizados por outras pessoas, programadores acessam o código fonte e o desenvolvem. Assim é possível que o software evolua, podendo-se melhorá-lo, adaptá-lo e corrigir possíveis erros. Todas as conquistas são disponibilizadas e tornam-se acessíveis àqueles que tiverem interesse no recurso.

Segundo a Free Software Foundation: "Software Livre é uma questão de liberdade, não de preço". O software livre tem como filosofia, socialização de conhecimentos e uma proposta de participação conjunta entre programadores no que se refere ao desenvolvimento de sistemas que atendam às necessidades de usuários comuns.

Sua organização, é semelhante à de um "anárquico bazar", onde não há hierarquia entre os participantes e todos cooperam para que o "bazar" seja atrativo aos compradores, ao mesmo tempo em que competem pela sua atenção. Os projetos são informalmente organizados ao redor da proposta de desenvolvimento de algum aplicativo "interessante". Voluntários participam e o líder do projeto emerge por seus méritos como programador ou projetista.

Vale a pena diferenciar software livre de software free porque a liberdade associada ao processo de copiar, modificar e redistribuir (software livre), independe de gratuidade. Alguns programas podem ser obtidos gratuitamente, mas que não podem ser modificados, nem redistribuídos (software free).

Existem vantagens e desvantagens no uso e distribuição do software livre. Entre as vantagens encontra-se custo social baixo; independência de um único fornecedor; desembolso inicial mínimo; não obsolescência do hardware, possibilidade de adequar aplicativos e redistribuir versão alterada; suporte abundante e gratuito; sistemas e aplicativos geralmente configuráveis, entre outros. Entretanto, pode-se apontar algumas desvantagens, entre elas, mão de obra escassa e/ou custosa para desenvolvimento e/ou suporte e instalação; configuração pode ser difícil; ausência de proprietário ou responsável legal; suporte inexistente segundo o modelo tradicional; instabilidade; poucos aplicativos comerciais etc.

Ainda que de maneira sucinta, considera-se pertinente apresentar um breve histórico do software livre. Na década de 1960, os fabricantes de sistemas comerciais vendiam seus computadores e entregavam aos clientes o código fonte dos programas, permitindo-lhes alterá-los e redistribuí-los livremente.

Richard Stallman era um programador do Laboratório de Inteligência Artificial do Massachusetts Institute of Technology (MIT) desde 1971 - época em que todo o código fonte que era produzido era compartilhado. Dez anos depois, devido ao desenvolvimento de softwares portáteis, que poderiam ser usados em diferentes tipos de computadores, fabricantes passaram a não mais distribuir o código fonte além de não permitir cópia e redistribuição desses softwares, impedindo que fossem utilizados por empresas concorrentes. Os softwares passaram então a ser vendidos ao invés de distribuídos. A situação se alterou de tal forma que o software tornou-se mais importante que o hardware, fazendo com que os fabricantes vendessem os aplicativos.

Em 1984, Richard Stallman já frustrado e inconformado com a crescente comercialização de softwares passa por mais uma situação que reforça sua ruptura com o software proprietário. Ele não conseguia acrescentar uma funcionalidade à impressora Xerox 9700 porque o código fonte não fora disponibilizado. Diante do fato, o programador deixa o MIT e funda o Projeto GNU.

Em 1985, Richard Stallman publicou um Manifesto, solicitando a participação de programadores que quisessem ajudá-lo na tarefa a que se propôs. O sistema tecnicamente mais avançado era Unix e estava disponível para várias plataformas, além de ser distribuído mais livremente que os demais. Em pouco tempo administradores de sistemas passaram a utilizar ferramentas produzidas pelo Projeto GNU ao invés das ferramentas distribuídas com os sistemas proprietários.

No início da década de 90 a maior parte das ferramentas de apoio já haviam sido criadas, mas faltava o núcleo do sistema operacional. Esta deficiência foi suprida com o trabalho de Linus Torvalds, um jovem finlandês que desenvolvera um núcleo compatível com o Unix. O sistema foi batizado de Linux. Em 1991 Torvalds disponibilizou o código fonte do Linux na Internet e solicitou a colaboração de outros programadores para continuar o desenvolvimento das partes que ainda faltavam. A resposta foi imediata e em menos de dois anos o Linux já havia se tornado um sistema razoavelmente estável.

Os esforços da Free Software Foundation - organização sem fins lucrativos fundada por Richard Stallman em outubro de 1985 para dar suporte às atividades do Projeto GNU e ao movimento do software livre, e da comunidade Linux foram conjugados e o sistema GNU/Linux passou a ser distribuído. Desde então vem sendo continuamente desenvolvido e aperfeiçoado. O núcleo do Linux é distribuído sob a Licença Pública Geral, que baseia-se em 4 liberdades:

A maioria das licenças usadas na publicação de software livre permite que os programas sejam modificados e redistribuídos. Estas práticas são geralmente proibidas pela legislação internacional de copyright, que tenta justamente impedir que alterações e cópias sejam efetuadas sem a autorização do(s) autor(es). As licenças que acompanham software livre fazem uso da legislação de copyright para impedir utilização não-autorizada, mas estas licenças definem clara e explicitamente as condições sob as quais cópias, modificações e redistribuições podem ser efetuadas, para garantir as liberdades de modificar e redistribuir o software assim licenciado. A esta versão de copyright, dá-se o nome de copyleft.

Enfim, software livre é um bem que pertence à humanidade uma vez que só foi possível obtê-lo por meio da evolução das ciências, de trocas, do compartilhamento de informações e de conhecimentos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ALENCAR, Anderson Fernandes de. A pedagogia da migração do software proprietário para o livre: uma perspectiva freiriana. São Paulo, 2007. Dissertação de Mestrado em Educação. Universidade de São Paulo. Faculdade de Educação.

BRASIL. O que é software livre. Disponível em: http://www.softwarelivre.gov.br/SwLivre. Acesso em 12/10/07.

HEXSEL, Roberto A. Software Livre - Propostas de Ações de Governo para Incentivar o Uso de Software Livre. Relatório Técnico. Curitiba, PR. 2002

Artigo original em Revista Eletrônica de Ciências nº 43
Acesso em: 26 de outubro de 2009, 11:13

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